sábado, setembro 18, 2010

Amor demi-sec

Cairam as taças... O vinho tingiu o chão
Minha alma, meu calor
Minha vontade de amar
Tão confuso e espalhados como os cacos.

Meu pensar contém
Seu corpo, seu bouque
Perfume frutado e doce,
sua pele nua e quente.

Mas tudo
contido no passado recente
Sorverá no vaso-desejo
O retorno do improvável beijo... O incomensurável paladar!

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Naufrago

I

Na solidão imensa do mar
Flutuo nos cristais de sal e plactons
Inerte pelas tempestades atlânticas

Navego ao acaso das ondas que me levam para lugar nenhum
O sol na alvorada
Vem me aquecer e iluminar o rota em cabotagem

Sigo a silueta sedutora da América
Entorpecido pelas nuvens e os ventos
Que me pertubam o sexo, o nexo...

Abraçado as cordas luminosas do farol
Que guiar-me-á para terra firme, enfim
Onde as nauseas da insegurança
Curar-se-ão com as curvas profanas de "gaia"

II

É sempre tarde
Ou é sempre cedo na aurora germinante das paixões
As emoções na aspiral do tempo
Brotam como as flores...

Vou roçando esse pelume floral
Com minhas mãos, com meus dedos
O contorno axiomático das entranhas sedentas da terra
Onde sorvo o amplexo caloroso e fecundante

Ainda soluço
A ambiguidade do passado
Como uma cicatriz

E na quimera do devir
Me entrego as evidências sentimentais
Sem medo, além do bem e do mal.

sábado, setembro 26, 2009

Cachos Dourados

Não consigo esquecer
Uma mulher que transpira
O éter fecundante das paixões
combustível dos heróis
Lançados ao acaso
Em longas jornadas de intempéries
Rompendo doxas
Na fruides dos pactos axiomáticos
Dos contos de fada.

Não consigo entender
Que tipo de bruxaria
Taumoturgamente a levou para um abismo de insegurança
E fez com que tudo tornou-se vazio e silencioso
No reino dos amores possíveis
Nenhum sapo se transformou
Nenhum beijo despertou
Nenhum dragão morreu na lâmina,
Tudo ficou na antítese da dinâmica
Congelados por um longo tempo
Até que uma nova magia
possa transpor esse abismo
E dar nexos aos sentimentos rompidos.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Fim dos Tempos

Escrevo
Com tinta transparente
Para só ser lido com olhos da alma
Para aqueles cuja matéria não tem mais significado
que sobrevoam os jardins mais belos
Entretanto, não percebem a cor
imanente na vivacidade das pétalas macias,
Não tragam o perfume
Licoroso e embriagante,
Não sorvem o calor
Que tateia a pele nos livrando do arrepio,
Nem podem mais sonhar
Com a esperança pálida como a luz da lua
Agonizando em seu colo
Ao som sarcástico e nefasto
Dos corvos banqueteando a última essência contida na caixa de pandora.
Agora,
Não lhes restam mais nada
Só a lembrança do beijo quente da amada
Num passado efémero e fugaz
Rascunhado pelo 'Designe Inteligente'
Em seu humor diletante.
Enfim,
Tomados pelo ostracismo
Vão silenciando o ocaso rubro no horizonte
Ao mesmo tempo em que seus olhos
Fechar-se-ão na insegurança de construir o devir icognito do amor.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Cosmogonia do Amor

Não quero pensar
porque não quero existir
não quero germinar da alegoria cosmológica da maçã
como um golpe alucinógeno no cachimbo do xamã

Vou navegar na face dupla do cosmos
percorrer o caminho explosivo da luz original
E, no calor do evento
Vislumbrar-me-ei com 'cachinhos dourados'

Quero findar, fundir...
nas equações do monte improvável
girar no moinho do tempo
Na goma teleológica do eterno, o Amor.

sábado, setembro 12, 2009

Saudade

Sua ausência
É como um metal
Que rompe do meu corpo minh'alma,
Reluzente
Cega não só minhas concepções
Mais também retira o 'vapor quente'
Que materializar minha vontade de existir,
Existir a dois...
é como se interrompesse
A epifânia do amor
De colorir as alvas páginas do devir
Com a felicidade inefável dos apaixonados.

quarta-feira, março 11, 2009

Testamento


Eu sou
Paradoxalmente
Amoroso e
Incondicional.
Deixo para você
Minhas piadas sem graça,
Meu jeito de falar e pensar,
Minha alma e
Minha filosofia de vida.

Correrá em sua veia
Essa herança:
Da inquietude para fazer...
Do senso de justiça para lutar,
Do amor que terás por tua mãe
A elegância será dela também.

Serás um corpo
Uma alma nova
Preparada para escrever seu caminho
E eu e sua mãe,
E nós
Estaremos sempre aqui,
Sempre.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Irresistibilidade

Seu semblante é ímpar
Sua beleza sorve o vapor das nuvens
Contempla o ocaso dos sexos
Que sensualmente petrificam
Aqueles que como o super-homen
Ousam em bebericar do vinho
Que brota das conchas
Dessa ninfa epifania
Embriagar-me-ei
Nesse paraiso
De musculo, tronco e peitos
Torneados pelo vento
Cuja tormenta
Tufos da irresistibilidade
Tão violenta
Faz do homem mais poderos impotente
De salvar-se ...
Na letargia explosiva dos gametas
Nem o brilho da mais alta estrela
Consegue me movimentar
Estou absorto no ar
Estou onde todos querem Estar.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Passagens

Estou no lado escuro da vida
Com o metal
Num golpe taumoturgo
Me aproximo do fim

Mesmo nas noites mais turvas
Há Luz
Mas, não posso seguir
Estou em queda livre...

Salvar-me dessa tormenta
É como não conhecer o outro lado do Rio
A paixão pela icognita
É o nexo da vida.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Sem rumo

Desperto-me
Com o amarelo abrasivo do
Gira-sol

Respiro o polém alucinógeno
Que transportar-me-á
Ao vermelho profundo, estou
Na circulação,
No pulsar, no universo paralelo,
Meu corpo baila
Na vibração do kaleidoscópio
Rumo...

Sem... Desligado...
Solto na brisa fecundar-me-ei 
Para além...


sexta-feira, agosto 01, 2008

sanidade

Graças a Deus
Existe as mulheres tolerantes
Caminhando por aí
Vejo...

A linha que separa o homem
Do Verme
É a casa de café
Ah! Como é bom poder encontrar gente compreensiva

Renova
A idiossincrasia da vida
E faz os Homens sobrepor a crise
Crise de todos os tipos!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

REVIRAVOLTA

Alma negra
Meia luz, meia noite
Ritmos alucinógenos
Destino manifesto
Que atravessam o Oceano Atlântico
No vermelho suor derramado
Sob o signo das ancruzilhadas
De encontro macabro
Transcedeu a escuridão White-man
Tomou violentamente
o ácido que sepultaria
A morbidez pálida dos metais

E no horizonte das vibrações
Na roquidão das gargantas chicoteadas
No caminho sem volta
O grito cromado dos Totens
Foi transcrito em fios de ouro
A mensagem dos metais
Ecoada no Oráculo africano
O axioma asfixiante
Em solo da liberdade
A maestria criola
Coagulando o sangue azul
E aquecendo a ignorância dos mortais.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

UNDERGROUD

Um cigarro
Um cognac
Em qualquer boteco
Sujo e escuro
Numa noite chuvosa da metroplis
Abraço caloroso e apaixonado da prostituta
Fumegante como um
Vaso de girassol
Me narco-embriago
Em sua concha faminta
Onde sorvo
O principio do fim
E me perco no
Silêncio dos becos
Até a próxima rajada de vento
Sopro sussurrado de tesão
Contido no vil metal.

ENTRE MUNDOS

No Horizonte do paraiso
O beija-flor sugou o nectar
Colorido
E o mar-de-rosas
Tingiu-se de trevas
A neblina densa
Turva os corações dos herois
E acidenta as naus
Ruptura do destino

O Novo Mundo é uma ilusão
dos amantes
Que se perdem na Iris
das sereias
Condenados ao enigma do amor
Não foram os primeiros
E nem os últimos
A desejar transpor
O vazio do velho mundo.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Desejo

As lésbias castas
Caçam na mata escura
Em arcadas estupidas
Em cama-sutra
Em gametas lascivos
O luxo, o lixo, o desconexo brio
do pólem fecundo,
segundos, eternos...
Berros
Que saem das entranhas dos vasos férteis
infinitos vermes
Que assustam a irracionalidade
Das coxas,
Das moças,
Das lésbias todas
Que se contorcem no fio
O equilíbrio vigoroso no dorso
O gosto
Da carne crua, desnuda
Tempestade de loucura
Onde gême os ventos da tortura
O beijo da prostituta.

Oraculo

Sou
O que quero ser
A tinta é minha casa
Minha casa é o meu universo
Por isso,
Sinto o que quero sentir
Desejo somente o desejável por mim mesmo

Egoísta em si
Alienado ao meu interior
Sou maior que o mundo
E tudo que o mundo criou
Sou a chave
Entre a ausência, concretude real
E a idiossincrasia fantasmagórica
Das paisagens do imaginário grego.
Sou o Eterno.

Vôo dos ventos

Num lado, o mundo real
No outro da concova, o mundo espelho
Agora desse lado, o mundo espelho
e do outro, primeiro, o mundo real
Mais o que importa
É a dialética que transporta
Meu coração ao meu amor
De um mundo para o outro
Do sensível, instinto da ignorância
Ao essencial alado baile das almas gêmeas
É nessa espiral
Que subo degrau a degrau
Até o ponto mais alto que a mente pode criar
E sorvo a brisa perfumada das conchas
Que só um Criador de mundos
Pode alçar
É essa geografia em forma de Afrodite
Que me findo em navegar
De lá para cá.

Labirinto Narcisiano

l Meu olhos como espelho d'alma Comprimido no vazio da solidão Retém no inefável O antídoto sagrado Para soltura dessa letargia Adormecido no platonismo Meu corpo vaga oco Pelos terrenos da fantasia Em busca do desencantamento Que preencha o ócio do coração Só me resta do Absoluto Decifrar a inefável epifania Que trará a luz Transcendência metafísica O altar onde repousa silenciosa a alma que findar-me-á a solidão. ll Por isso, não é bom profanar Em solo cosmogônico. O paraíso subjetivado no sensível É dor e amor mundano Ausência da verdade revelada. Quero desafiar, Ousar alçar o cume do Todo Para que o prêmio Deleitar-me com a Vênus Não torne em vão O furto fracionado de Eterno. E depois de traduzido o Paradoxo Transposto para além da matéria Como um Alquimista do verbo Degustarei um pequeno cálice do Rio Letes Que ainda reflete nos meus olhos a face do Retorno.

Rotina

A linha do tempo
Do tempo físico
Não muda
Na geografia curva
Na mente dos homens: ruptura

Progresso, desenvolvimento,
Prazeres e tradições
Iluminam o negrume
Numa luta de forças antagônicas

A terra sangra
Fertilidade.
O tempo à fecunda - o embrião da crise
A esperança
Ultíma vítima da morte
Emana taumoturgo
Dialeticamente confusa e embriagada
O Messias tardio
Numa roda teleológica.

E assim
Como o vento
Que circunda o mundo
Sem cessar
O dia retorna alimentando o tempo, dos sonhos...

Redenção



Dentro do meu carro
teço minha estrada
Ouço sua radio
Como sua voz murmurando melodias profanas
Clono você com a memória do seu perfume no meu cortex laborial
E fecho meus olhos
Porque assim vejo melhor as alamedas dos meus pansamentos:
*você ao meu ladoE sua língua correspondendo meu desejo;
*É um sonho, um delírio platônico...
Que alimenta várias formas de amar
Que rompe limites
Que transpõe-se para além do bem e do mal
Unindo o passado com o presente na ciranda do tempo.
No tempo e no espaço poético
Porque aqui nessas linhas
Como uma cama
Que nossos corpos beiram o absoluto
No toque taumoturgo da minha pena.