quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Erótica

Erótica como uma pluma leve de pavão
Deslizando absorta curvilíneas pelo ar
Pousando suavemente no solo sagrado da luxúria
Fecundo e lascivo o pólen germinante das paixões.

Suas pernas abertas revelar-nos-á sua concha febril
Como o incrível mundo imaginário da Cocanha
Onde os vasos incessantes de vinho e alimentos...
E o corpo eterno singra nos rios do prazer.

Sua voz dionisíaca ecoa imanente e diletante
Como vapor solvente de um vulcão
E faz o grito expandir o orgasmo.

E seu olhar de Medusa
Não condena numa paralisia débil e agonizante
Só a contemplação da sublime afrodisíaca fome.

sábado, janeiro 30, 2016

Alma

A alma é a memória não revelada
É o peso da escuridão que se dissolve na morte
Iluminada num grande quebra-cabeças de vozes e gestos
Num labirinto íntimo sobre o Defunto.

Ainda assim nunca será inteiro
Sempre e, de fato, um espanto enrugar-se-á a testa
Ao traduzir um momento revelado e turvo
Nos vivos lábios apolítico de um contador de anedotas.

Que fumaça ou vapor espectral anunciará
Minha alma tão material quanto meu corpo
Como a trama do tear, fio a fio de um tecido.

Nesse universo criacionista onde a verdade é o distorcido
A memória levita taumaturgo no tempo 
E a alma é a chave do enigma multiverso.

sábado, janeiro 16, 2016

O Amor não é Crime

Quão profundo é o abismo da verdade?
Ou o peso da mente na sola dos passos?
Aquele olhar que paira na escuridão, absoluto!
Procurando a ponte luminosa entre nossos olhares.

Redenção dos crimes que não prescrevem
Tomei seu coração, seus lábios vermelhos
O elegante designe do seu corpo
Retive me em seu abraço singular.

E como asas, seu beijo!
Lutou contra a gravidade
Me fez flutuar para o brilho do desejo.

E como um caminho, terra firme?
Sua pele me aqueceu de certezas tão profundas
Que não restou dúvidas do nosso amor.

Desculpe Me

Seu grito, Fúria! Como um Anjo
Casto no mundo de pétalas negras e ásperas
Como lobos enfurecidos educando
A fome de nexos numa lata de lixo.

Num cosmo tecido de escuridão
As estrelas não guiam cegos
Não desamarram almas infelizes
Não germina mais do que becos e buracos para agrafos.

Nem num dia de Sol, óbvio!
O solo fértil e iluminado
Dissolve a atmosfera gélida do ódio.

O mundo não é para Anjos
Se não todos teriam asas e absoluto platônico!
Mas o Nó quem desata é VOCÊ!!!

segunda-feira, agosto 10, 2015

Meus pés tocam a relva orvalhada
E congelam a Saudade
Numa insuportável letargia
Estanca meu pranto ao estancar meu coração

O Tempo do Paraíso e da Perfeição
Colorido e quente no axioma do amor
Como duas fontes de Luz
Que repousando na relva desejam o eterno.

Mas na face da realidade
O único brilho desse olhar
Revela o futuro e a esperança.

Quando proteger tornou-se tão cruel?
Que rasga minh'alma e deixa mudo
Inerte e ao bel-prazer da Solidão.


Luz no Fim do Tunel

Pisar as Nuvens
Sem o poder do sonhador
É pisar na calda do abismo
Fechar-se ao brilho do Sol
Secar todas os sorrisos
Adentrar no Mundo Inferior cabisbaixo.

Rende-me-ei ao convite dos teus olhos
Seus braços sempre prontos
sublevam minh'alma em teu Farol
Sublime recompensa aos perdidos
fonte inesgotável das Vontades, a Paixão!
Faz durar em mim o inexorável Amor.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

Amores e Porradas

Vou triturar você no Moinho de Cartola
Ou no caleidoscópio paranoico
Deixando a dor expandir
Até dilacerar a vontade do mundo representado.

As lembranças, gestos e odores
Devorados pelo ostracismo
E tudo que poderia acontecer no alvorecer do Sol radiante
Diluído em lágrimas platônicas.

Chronos está sedento por almas pequenas e tristes
Como a Solidão da natureza morta
Que perfuma a memória.

Que teimosamente materializa sua presença
Na imanência enfática do impossível
E na resistência revolucionária dos seus lábios vermelhos.

Primavera Noturna

I Infernal
O Capim de labareda floresce no cucuruco de Hades
O Ódio curva a alma do anátema
O Medo fecha todas as Janelas do Alvorecer
E o perfume de enxofre entorpece os gritos de agonia.
Mito teogônico anunciado pelo Oráculo
Feito uma estatua, tem seus membros atenazados
Nas Lágrimas de chumbo quente e derretido dos Inocentes
E, pela irônia da sua natureza, retomar-se-a taumaturgamente.
A Esperança desnuda é uma vadia embriagada
Consumida na Pandora pelas Pestes
Do anoitecer ao amanhecer.
Só a Luz da epifania geniosa
Sublevar-se-á as Rosas e o gira-sol
Do sarcasmo do Desdém a da Letargia.
II (Insano)
Ontologia das Flores-do-Mal
O Profano bebe na fonte do Sagrado a astúcia dos Iluminados
E a Cocanha é a rota dos séquitos dionisíacos
No Vale fértil do Eterno.
A arqueologia da loucura revelar-me-á
O Sol quente dos prazeres e,
Os Vasos de vinhos infinitos e Diletantes
Onde sorvo o doce néctar da Luxuria...
Na silhueta das conchas, arquitetura do Belo
Vou morrer e renascer aos gritos da Ninfas
Fardo de todas as noites de luar.
E na recusa da cosmologia dos Tolos
Vou tecer o Discurso dos Eloquentes
Num auditória de Surdo-Mudo.
III (Eloquência)
A Calmaria da águas
Expurga o naufrago na realidade dos Nexos
Entre a Escuridão e o Delirante beijo de Aphrodite
O Plexos finca o tronco na Razão.
O Silêncio consumiu minha Boca e meus Ouvidos
Cada passo é como Atlas
Cada signo uma sentença na Ordem do Discurso
Ainda assim, penso no veludo das Rosas e na Luz do gira-Sol.
Quem dera a Quimera pudesse a Utopia
Uma Estrada no horizonte do Absoluto
O Vento transportar-me ia sublimemente.
Amanhã é a promessa mais doce
em plena exposição na Vitrine do Presente
O elixir quiromante na dose da vontade Humana.

quarta-feira, maio 01, 2013

Vertigem

Vertigem
O céu espelha
O mais profundo e 
Escuro desejo
Flertando o desconhecido
Segredo dos seus olhos
como a imensidão do mar
Náuseas estampam 
O rubor em minha face
Sublevando-me ao abstrato
Na qual só sua voz
Dar-me-á o solo fértil
dos seus sublimes beijos
E o chão do paraíso
Pondo meus pés no firmamento.


quinta-feira, janeiro 12, 2012

As Ordenações Manuelinas

I

Vou singrar pelos verdes olhos do mar
Seguindo o aroma do porvir no desejo inefável
Que sopra a velas e enche o coração de coragem
Para missão de conquistar reino já sublime

E quando em terra firme chegar
Semear-lhe-ei árvores no quintal
De raizes profundas e tronco forte
Com semente do bem-querer!

Sorver o vinho tinto no ocaso bucólico
Das rubras paisagens lusitanas
E embriagar-me-ei em teu oasis...

E render-me-ei as ordenanças reais
Que impera na vastidão das vontades
O laço dos lábios que une o ibéro e o latino...

II

Da dita terra velha e paterna
Quero a fragância jovem e fresca
Que na concova inverte as estações
E os sentidos da razão e dos ventos marítimos

Quero colher os frutos da árvore
Caídos na neve do seu quintal
E vislumbrar o alvorecer do sol
Aquecer a Era Manuelina da sua varanda...

Me perder em teu colo quente
Na aposta do destino inexorável
Na qual a sorte reservar-me-á um ás de vantagem!

E, destarte, brindar-nos-emos aos nexos inexplicáveis
Na colisão dos sentimentos
Na rota do acaso o passaporte para o absoluto!


terça-feira, dezembro 27, 2011

Para os tolos

A dádiva
Para os alquimistas, ouro!
Para os mortais, vida eterna!
Para os amantes, alma gêmea!
Para Narciso, espelho d'água
Que reflete o céu nos olhos, desejo!
Para os tolos, a crença...
O labirinto mais escuro e complexo
Cuja saída não tem nexo discutível
Nem a luz da Razão, nem vaga-lume traça o caminho...
Essa é a oferta para os ágrafos e bárbaros
A Fé, cega! Sacrifício!
A Morte só separa o individual do coletivo
Na teleologia, quem conta a vida é o Trabalho!
Quantos gritos agonizam nos muros...
papeis, joelhos, promessas, velas...
Já naufragaram nesse mar sem fundo!
Para o Agora? Tempo!
Pois Zeus já saciou a fome titânica
E o fogo já caiu e inflamou a dúvida...
Já aqueceu a sopa Primordial,
Já derreteu o aço-ouro da guerra,
Já deu vida a História
E, por fim, Já quebrou o Espelho!

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Olho D'água

Eu quero o seu mais profundo brilho
Do olhar cristalizado nas gotas lacrimais
Que revelam o inefável gosto...
...Soluço e agonia, voz fraca e grito roco!
Que na queda do abismo é incolor e sem prisma
Pois não luz da razão para o efeito colorido
Que dá quando a gente se vê de frente...
Sem teto, chão ou parede!
Só o ar movimentando o corpo líquido
Até ser desfazer no infinito astral...
Como um espelho que aprisiona no vício do belo
O frágil Narciso na dádiva do espiral
Que gira e entorpece os sentidos chave
De uma nova substância que nos livre dessa órbita.
Então, estará contido no rubor das vibrantes provocações
Amoral e atemporal do sorriso como o prenúncio do sol
O calor das intenções do porvir!

quarta-feira, outubro 26, 2011

Sem!

I


O tato do olhar
Sente o arrepio do rubor
Face o amplexo ao fundamento vital
Sofrer por escolha, absurdo!


Que tese sofismável
Traduziu o sabor doce da paixão
Em grosso amargo
Da qual a vida tem destino inexorável...


A vontade despotencializada
Vilipendiando dois corações
Maduros e prontos para se transformarem


Na complexidade inteligível
Do amor, da essência instintiva...
Que nos conduz a singular rota do absoluto!


II


Esse valor sublime
Que transpassa os muros altos e densos
Da moral, e, que alimenta
Sonhos dentro de sonhos...


Sem perder o chão da realidade
Sem profanar o sagrado
Sem o equivoco do bel-prazer
Do egoismo.


Mais, caminhar entre o céu e a terra
Produzindo uma atmosfera
Cujo os elementos axiomáticos


Expliquem a origem
Dos encontros e desencontros
Da súbita paixão!

quinta-feira, agosto 11, 2011

As Nuvens Não São De Chuva

O céu está cinza e vazio
De qualquer coisa que possa me interessar...

O chão está assentado na solidão
Mórbida, platéia sem esperança...

Quem revoluciona o brilho laminoso e sarcástico
Da desmaterialização do ser natural...

Nu da idiossincrasia metafísica
Ausência revelada

Sua face sem face não emite e nem capta
A etimológica do cosmo...
. 
Pronto! Eclodiu a força real da noosfera
Estamos suspensos no ar...

O novo big bang virtual
É mais concreto que os voodus e inteligível
Que o céu espelhado no mar

quarta-feira, agosto 10, 2011

Cheia de graça e luz


Teus olhos como um amplexo

Cristalizando o rubro horizonte
E indagando a ataraxia dos ventos
Na provável arte de viver os nexos...

A magia sublime do sopro no barro
Fez-se a luz que anunciou a gênese
Que emana de teus verdes olhos
Os axiomas para abrir os mundos...

É na vontade como representação
Que sua imagem se distingue na multidão
Como uma rosa vermelha na aridez do sertão

Essa trilha de sentidos
Que ainda há muito por percorrer
Tens a “graça” e a “juventude” sempre para ofercer!

terça-feira, julho 12, 2011

O Tempo está na sala de jantar

O Tempo Janta silencioso
A natureza das coisas e o imaginário humano,
Numa paciência cósmica
Tritura a teleologia Kantiana como num sopro de segundo...

Na Razão Pura dos fatos, o Fato...
Esse é o axioma inefável
Que equaciona o silogismo do pensar e existir
Num plano místico que nos ataraxia na quimera dos magos.

E se me cubro com a noite eterna, suicídio...
Não conquisto a vitória na epifania da promessa
Só me entrego ao desagradável beijo da morte, escopo de toda Natureza.

E na tautologia do “pó ao pó” como cosmogonia
Quero a inversão e recuso os sofismas das teorias mágicas
Vou Ser o canibal do Tempo.

II

E nesse festim antropofágico
Sobre a jangada da medusa
Onde tudo e todos se confundem numa orgia
Não sei se devoro a perna do Tempo ou a minha própria...

E nesse vicio de perverter a Natureza, Política...
A frágil verdade é vilipendiada
Pelo despotismo teistas que se fixam
Em versos sublimes e prosas mágico-ideológicas.

Os filhos dessa bola de neve dialética
Estão entre a luz e as trevas
Na beira da caverna tomando overdoses de proposições.

Enquanto isso, na sala de espera,
O tempo ascende seu longo charuto
E se deleita com a ironia dos aforismos nischtianos.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Cinzas

Caminhando pelo vapor taciturno da solidão
Recobro-me duma época anterior
Autóctone da geografia dos livres amores
E oportunidades que beiravam a loucura.


Ah! Consumir persuasivamente a atenção singular
De um cristal em pedra bruta, vontade
Que se movimenta tanto como a luz
Prisma confuso de segmentos sentimentais.

O agora é tudo que eu tinha...
E senta-se como poeira após vento...
Vento feito Saci-Perêrê ou de natureza estranha.

Quimera do arco-íris... Baú de ouro!
Ou os restos da caixa de Pandora, como
Respostas para os tolos diálogos da microfísica do amor.

domingo, dezembro 26, 2010

Pedra-padrão

O vento traz os uivos
Que anunciam a fragrância obscura
O som rancoroso domina o ambiente
No salivar estúpido das memórias póstumas.

O beijo da morte
Não eterniza minha alma condenada
Só me arrasta acorrentado na traseira da desilusão
A estática infernal dos infelizes.

Onde os restos repousam
Que não possa nascer nem daninha
Nem um oásis de rosas vermelhas.

Que se coloque uma pedra-padrão
Para os novos sentidos que passarem
Não vejam mais do que uma pedra inútil.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Terra Sagrada

Ah! Terra sagrada
Entumecida pelo tempo dos homens
Que rasgan sua pele desnuda
Com o trabalho de escrupulos duvidosos.

Sangras no virtuoso mar
A fúria nauseante do braços incansáveis
apaixonados e igênuos
Dos que falecem nas pernas umidas dos caminhos estreitos.

Talves o gozo extorquido ou pago
Pelos mariscos, frutas e petiscos
Possam abrandar a noite eterna.

Ou, quem sabe
Ser devorada meticulosamente
Pelos lobos de uma nova era.

Renascido

Por Zeus! como uma epifania
Renascido entre o antrax e a neblina densa
Contorcendo-se na folha da relva
O forte amplexo da quimera germinante.


É no pensar de Disign Inteligente
Que encontro luz e solo fértil, onde
A causa, a forma, o barro, a liberdade...
Dão cor e voz, razão e fragância da vida.


É na loucura do acaso dionisíaco
Onde sorvo o vinho eo éter
E seco as lágrimas da incerteza.


E, por último, irresistível
É no beijo da beleza roubada
Que teço o rubor da minha face delirante.