terça-feira, julho 12, 2011

O Tempo está na sala de jantar

O Tempo Janta silencioso
A natureza das coisas e o imaginário humano,
Numa paciência cósmica
Tritura a teleologia Kantiana como num sopro de segundo...

Na Razão Pura dos fatos, o Fato...
Esse é o axioma inefável
Que equaciona o silogismo do pensar e existir
Num plano místico que nos ataraxia na quimera dos magos.

E se me cubro com a noite eterna, suicídio...
Não conquisto a vitória na epifania da promessa
Só me entrego ao desagradável beijo da morte, escopo de toda Natureza.

E na tautologia do “pó ao pó” como cosmogonia
Quero a inversão e recuso os sofismas das teorias mágicas
Vou Ser o canibal do Tempo.

II

E nesse festim antropofágico
Sobre a jangada da medusa
Onde tudo e todos se confundem numa orgia
Não sei se devoro a perna do Tempo ou a minha própria...

E nesse vicio de perverter a Natureza, Política...
A frágil verdade é vilipendiada
Pelo despotismo teistas que se fixam
Em versos sublimes e prosas mágico-ideológicas.

Os filhos dessa bola de neve dialética
Estão entre a luz e as trevas
Na beira da caverna tomando overdoses de proposições.

Enquanto isso, na sala de espera,
O tempo ascende seu longo charuto
E se deleita com a ironia dos aforismos nischtianos.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Cinzas

Caminhando pelo vapor taciturno da solidão
Recobro-me duma época anterior
Autóctone da geografia dos livres amores
E oportunidades que beiravam a loucura.


Ah! Consumir persuasivamente a atenção singular
De um cristal em pedra bruta, vontade
Que se movimenta tanto como a luz
Prisma confuso de segmentos sentimentais.

O agora é tudo que eu tinha...
E senta-se como poeira após vento...
Vento feito Saci-Perêrê ou de natureza estranha.

Quimera do arco-íris... Baú de ouro!
Ou os restos da caixa de Pandora, como
Respostas para os tolos diálogos da microfísica do amor.

domingo, dezembro 26, 2010

Pedra-padrão

O vento traz os uivos
Que anunciam a fragrância obscura
O som rancoroso domina o ambiente
No salivar estúpido das memórias póstumas.

O beijo da morte
Não eterniza minha alma condenada
Só me arrasta acorrentado na traseira da desilusão
A estática infernal dos infelizes.

Onde os restos repousam
Que não possa nascer nem daninha
Nem um oásis de rosas vermelhas.

Que se coloque uma pedra-padrão
Para os novos sentidos que passarem
Não vejam mais do que uma pedra inútil.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Terra Sagrada

Ah! Terra sagrada
Entumecida pelo tempo dos homens
Que rasgan sua pele desnuda
Com o trabalho de escrupulos duvidosos.

Sangras no virtuoso mar
A fúria nauseante do braços incansáveis
apaixonados e igênuos
Dos que falecem nas pernas umidas dos caminhos estreitos.

Talves o gozo extorquido ou pago
Pelos mariscos, frutas e petiscos
Possam abrandar a noite eterna.

Ou, quem sabe
Ser devorada meticulosamente
Pelos lobos de uma nova era.

Renascido

Por Zeus! como uma epifania
Renascido entre o antrax e a neblina densa
Contorcendo-se na folha da relva
O forte amplexo da quimera germinante.


É no pensar de Disign Inteligente
Que encontro luz e solo fértil, onde
A causa, a forma, o barro, a liberdade...
Dão cor e voz, razão e fragância da vida.


É na loucura do acaso dionisíaco
Onde sorvo o vinho eo éter
E seco as lágrimas da incerteza.


E, por último, irresistível
É no beijo da beleza roubada
Que teço o rubor da minha face delirante.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Destino dos moribundos

I

Vamos celebrar
As noites que jamais terão o vapor do amanhecer
Com o elixir da seiva das Flores do Mal
Ou com as lágrimas derramadas para os que partiram sem retorno.

Aceitar o convite encantador de Hades
Para apreciar as raizes
Dos botões de rubi plantadas pelo Arquiteto
Sarcasmo criado para os desiludidos.

Enquanto a carne se miscigena
Ao enxofre e a terra
Com uma irresistibilidade inexorável.

Sem perder o ritimo
Vamos degustar o sobrenatural açúcar das memórias
Não vividas pelo Defunto Autor.

II

E é com imensa sorte
Que festejo o banquete carnívoro
Dos vermes que se regogizam
Com a putrefates dos sonhos...

... E desejos que ainda circulam
No labirinto venoso de um moribundo
Vítima do sublime acaso
Na mais remota solidão do amor.

Ter as entranhas devoradas como Prometeu
Desse castigo eterno tenho o pedão de Chronos
E dos deuses que me inventaram efêmero.

Condenado a me apaixonar inúmeras vezes
Como Sisifo a rolar uma pedra montanha acima
Dádiva da natureza humana.






segunda-feira, novembro 29, 2010

Sol da meia-noite

Sinto que vou mergulhar num copo de uisque
Naquelas noites em que o pensamento brilha intenso
apagar a luz do quarto não põe em xeque os olhos abertos
até o silêncio incomoda minha existência estúpida.

Os fantasmas da psique
Vem me cobrar a noite o valor incomensurável
Do caos produzido pelos sinais secretos e becos arquétipos
Como o truque do espelho que dopou Narciso.

Clamo demasiadamente por uma fadiga barbitúrica
Ou uma sáliva narcótica
Que me absolva do castigo de ser humano

E, ainda, me conceda uma brisa suave
Como um oasis no Saara
Ou uma simples noite escura no inverno da escandinávia.


sábado, setembro 18, 2010

Amor demi-sec

Cairam as taças... O vinho tingiu o chão
Minha alma, meu calor
Minha vontade de amar
Tão confuso e espalhados como os cacos.

Meu pensar contém
Seu corpo, seu bouque
Perfume frutado e doce,
sua pele nua e quente.

Mas tudo
contido no passado recente
Sorverá no vaso-desejo
O retorno do improvável beijo... O incomensurável paladar!

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Naufrago

I

Na solidão imensa do mar
Flutuo nos cristais de sal e plactons
Inerte pelas tempestades atlânticas

Navego ao acaso das ondas que me levam para lugar nenhum
O sol na alvorada
Vem me aquecer e iluminar o rota em cabotagem

Sigo a silueta sedutora da América
Entorpecido pelas nuvens e os ventos
Que me pertubam o sexo, o nexo...

Abraçado as cordas luminosas do farol
Que guiar-me-á para terra firme, enfim
Onde as nauseas da insegurança
Curar-se-ão com as curvas profanas de "gaia"

II

É sempre tarde
Ou é sempre cedo na aurora germinante das paixões
As emoções na aspiral do tempo
Brotam como as flores...

Vou roçando esse pelume floral
Com minhas mãos, com meus dedos
O contorno axiomático das entranhas sedentas da terra
Onde sorvo o amplexo caloroso e fecundante

Ainda soluço
A ambiguidade do passado
Como uma cicatriz

E na quimera do devir
Me entrego as evidências sentimentais
Sem medo, além do bem e do mal.

sábado, setembro 26, 2009

Cachos Dourados

Não consigo esquecer
Uma mulher que transpira
O éter fecundante das paixões
combustível dos heróis
Lançados ao acaso
Em longas jornadas de intempéries
Rompendo doxas
Na fruides dos pactos axiomáticos
Dos contos de fada.

Não consigo entender
Que tipo de bruxaria
Taumoturgamente a levou para um abismo de insegurança
E fez com que tudo tornou-se vazio e silencioso
No reino dos amores possíveis
Nenhum sapo se transformou
Nenhum beijo despertou
Nenhum dragão morreu na lâmina,
Tudo ficou na antítese da dinâmica
Congelados por um longo tempo
Até que uma nova magia
possa transpor esse abismo
E dar nexos aos sentimentos rompidos.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Fim dos Tempos

Escrevo
Com tinta transparente
Para só ser lido com olhos da alma
Para aqueles cuja matéria não tem mais significado
que sobrevoam os jardins mais belos
Entretanto, não percebem a cor
imanente na vivacidade das pétalas macias,
Não tragam o perfume
Licoroso e embriagante,
Não sorvem o calor
Que tateia a pele nos livrando do arrepio,
Nem podem mais sonhar
Com a esperança pálida como a luz da lua
Agonizando em seu colo
Ao som sarcástico e nefasto
Dos corvos banqueteando a última essência contida na caixa de pandora.
Agora,
Não lhes restam mais nada
Só a lembrança do beijo quente da amada
Num passado efémero e fugaz
Rascunhado pelo 'Designe Inteligente'
Em seu humor diletante.
Enfim,
Tomados pelo ostracismo
Vão silenciando o ocaso rubro no horizonte
Ao mesmo tempo em que seus olhos
Fechar-se-ão na insegurança de construir o devir icognito do amor.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Cosmogonia do Amor

Não quero pensar
porque não quero existir
não quero germinar da alegoria cosmológica da maçã
como um golpe alucinógeno no cachimbo do xamã

Vou navegar na face dupla do cosmos
percorrer o caminho explosivo da luz original
E, no calor do evento
Vislumbrar-me-ei com 'cachinhos dourados'

Quero findar, fundir...
nas equações do monte improvável
girar no moinho do tempo
Na goma teleológica do eterno, o Amor.

sábado, setembro 12, 2009

Saudade

Sua ausência
É como um metal
Que rompe do meu corpo minh'alma,
Reluzente
Cega não só minhas concepções
Mais também retira o 'vapor quente'
Que materializar minha vontade de existir,
Existir a dois...
é como se interrompesse
A epifânia do amor
De colorir as alvas páginas do devir
Com a felicidade inefável dos apaixonados.

quarta-feira, março 11, 2009

Testamento


Eu sou
Paradoxalmente
Amoroso e
Incondicional.
Deixo para você
Minhas piadas sem graça,
Meu jeito de falar e pensar,
Minha alma e
Minha filosofia de vida.

Correrá em sua veia
Essa herança:
Da inquietude para fazer...
Do senso de justiça para lutar,
Do amor que terás por tua mãe
A elegância será dela também.

Serás um corpo
Uma alma nova
Preparada para escrever seu caminho
E eu e sua mãe,
E nós
Estaremos sempre aqui,
Sempre.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Irresistibilidade

Seu semblante é ímpar
Sua beleza sorve o vapor das nuvens
Contempla o ocaso dos sexos
Que sensualmente petrificam
Aqueles que como o super-homen
Ousam em bebericar do vinho
Que brota das conchas
Dessa ninfa epifania
Embriagar-me-ei
Nesse paraiso
De musculo, tronco e peitos
Torneados pelo vento
Cuja tormenta
Tufos da irresistibilidade
Tão violenta
Faz do homem mais poderos impotente
De salvar-se ...
Na letargia explosiva dos gametas
Nem o brilho da mais alta estrela
Consegue me movimentar
Estou absorto no ar
Estou onde todos querem Estar.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Passagens

Estou no lado escuro da vida
Com o metal
Num golpe taumoturgo
Me aproximo do fim

Mesmo nas noites mais turvas
Há Luz
Mas, não posso seguir
Estou em queda livre...

Salvar-me dessa tormenta
É como não conhecer o outro lado do Rio
A paixão pela icognita
É o nexo da vida.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Sem rumo

Desperto-me
Com o amarelo abrasivo do
Gira-sol

Respiro o polém alucinógeno
Que transportar-me-á
Ao vermelho profundo, estou
Na circulação,
No pulsar, no universo paralelo,
Meu corpo baila
Na vibração do kaleidoscópio
Rumo...

Sem... Desligado...
Solto na brisa fecundar-me-ei 
Para além...


sexta-feira, agosto 01, 2008

sanidade

Graças a Deus
Existe as mulheres tolerantes
Caminhando por aí
Vejo...

A linha que separa o homem
Do Verme
É a casa de café
Ah! Como é bom poder encontrar gente compreensiva

Renova
A idiossincrasia da vida
E faz os Homens sobrepor a crise
Crise de todos os tipos!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

REVIRAVOLTA

Alma negra
Meia luz, meia noite
Ritmos alucinógenos
Destino manifesto
Que atravessam o Oceano Atlântico
No vermelho suor derramado
Sob o signo das ancruzilhadas
De encontro macabro
Transcedeu a escuridão White-man
Tomou violentamente
o ácido que sepultaria
A morbidez pálida dos metais

E no horizonte das vibrações
Na roquidão das gargantas chicoteadas
No caminho sem volta
O grito cromado dos Totens
Foi transcrito em fios de ouro
A mensagem dos metais
Ecoada no Oráculo africano
O axioma asfixiante
Em solo da liberdade
A maestria criola
Coagulando o sangue azul
E aquecendo a ignorância dos mortais.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

UNDERGROUD

Um cigarro
Um cognac
Em qualquer boteco
Sujo e escuro
Numa noite chuvosa da metroplis
Abraço caloroso e apaixonado da prostituta
Fumegante como um
Vaso de girassol
Me narco-embriago
Em sua concha faminta
Onde sorvo
O principio do fim
E me perco no
Silêncio dos becos
Até a próxima rajada de vento
Sopro sussurrado de tesão
Contido no vil metal.